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Mapa de cotação: como montar o comparativo de propostas e decidir

Mapa de cotação, ou mapa comparativo de cotação, é a tabela que coloca lado a lado as propostas dos fornecedores para os mesmos itens, com preço, impostos, frete, prazo de entrega, condição de pagamento e validade. Ele serve para escolher o vencedor pelo custo total, e não pelo preço unitário, e para deixar registrado por que aquela proposta foi a escolhida.

Atualizado em · 7 min de leitura · Equipe Fixus

O que é o mapa de cotação e para que serve

Depois que a requisição vira cotação e os fornecedores respondem, o comprador tem nas mãos três, quatro ou cinco propostas em formatos diferentes: uma em PDF com IPI à parte, outra no corpo do e-mail com frete a combinar, outra com preço por caixa fechada. O mapa de cotação é o trabalho de trazer tudo isso para a mesma base, item por item, para que a comparação seja justa.

Ele cumpre duas funções. A primeira é de decisão: mostrar qual proposta custa menos para a empresa, considerando tudo o que sai do caixa. A segunda é de registro: meses depois, quando alguém perguntar por que a compra foi feita de determinado fornecedor, o mapa anexado ao pedido responde. Por isso ele é peça central no fluxo de requisição, cotação e pedido, e não um papel de rascunho que se joga fora depois da escolha.

Colunas que o mapa precisa ter

Um mapa que só tem descrição e preço unitário esconde exatamente o que muda a escolha. As colunas mínimas, para cada item e cada fornecedor, são estas:

Colunas mínimas de um mapa comparativo de cotação.
ColunaO que registrarPor que importa
Item e especificaçãoDescrição técnica, código do fabricante, marca ofertada e se é equivalenteGarante que as propostas são do mesmo item, e não de um similar mais barato
Quantidade e unidadeQuantidade pedida e a ofertada (peça, caixa, metro, jogo)Proposta por caixa fechada muda o custo real da quantidade necessária
Preço unitárioValor da mercadoria por unidade, sem IPIBase de todos os cálculos
IPIAlíquota e valor, ou se o fornecedor não destacaÉ cobrado por fora e soma ao desembolso
ICMSAlíquota destacada e se a compra é do mesmo estado ou de outroCompra de outro estado para uso e consumo pode gerar diferencial de alíquota
FreteCIF (incluso) ou FOB, com valor estimado quando FOBFrete FOB precisa ser somado à proposta
Prazo de entregaDias úteis a partir do pedidoPode pesar mais que o preço quando a máquina está parada
Condição de pagamentoPrazo e forma (por exemplo, 28 dias no boleto)Prazo maior tem valor financeiro para o caixa
Validade da propostaData até a qual o preço valeProposta vencida antes da aprovação do pedido obriga a cotar de novo

Acrescente ao final uma linha de custo total estimado por fornecedor (mercadoria + IPI + frete FOB + diferencial de alíquota, quando houver) e uma linha de observações para o que não cabe em número: marca, garantia, necessidade de amostra. O detalhe de como cada imposto entra na conta está no guia sobre como comparar propostas com impostos.

Como montar um mapa de cotação à mão

  1. 1

    Parta da lista da requisição

    Copie os itens exatamente como estão na requisição, com quantidade e unidade. Cada linha do mapa é um item; cada bloco de colunas é um fornecedor.

  2. 2

    Transcreva cada proposta sem ajustar

    Lance o preço unitário como o fornecedor mandou e anote à parte o que ele disse sobre IPI, frete e embalagem. Não arredonde nem converta nessa etapa.

  3. 3

    Normalize a base

    Converta tudo para a mesma unidade e a mesma quantidade. Se um fornecedor cotou caixa com 10 e a necessidade é 6, registre o custo da caixa inteira ou peça nova proposta.

  4. 4

    Some o que sai do caixa

    Para cada fornecedor, some mercadoria, IPI destacado, frete FOB estimado e diferencial de alíquota quando a compra vem de outro estado para uso e consumo.

  5. 5

    Aplique a regra de crédito da empresa

    Desconte os impostos que a sua área fiscal definiu como recuperáveis para aquele tipo de compra. Em material de manutenção, em geral quase nada volta como crédito.

  6. 6

    Marque prazo, pagamento e validade

    Destaque propostas com prazo de entrega incompatível com a necessidade ou com validade que vence antes da data provável do pedido.

Exemplo de mapa de cotação

Exemplo ilustrativo: uma indústria cota 20 correias em V B-42 e 40 rolamentos 6205-2RS para manutenção (uso e consumo), com três fornecedores do mesmo estado. As alíquotas e os valores são apenas exemplo.

Exemplo com números ilustrativos. Alíquotas e créditos variam por NCM, estado e regime tributário.
ExemploFornecedor AFornecedor BFornecedor C
Correia B-42, 20 un. (preço unitário)R$ 38,00R$ 35,50R$ 37,00
Rolamento 6205-2RS, 40 un. (preço unitário)R$ 21,00R$ 22,50R$ 20,00
MercadoriaR$ 1.600,00R$ 1.610,00R$ 1.540,00
IPI5% destacado: R$ 80,00Não destaca (revenda)5% destacado: R$ 77,00
ICMS18%, incluso no preço18%, incluso no preço18%, incluso no preço
FreteCIF, inclusoCIF, inclusoFOB, estimado R$ 150,00
Custo total estimadoR$ 1.680,00R$ 1.610,00R$ 1.767,00
Prazo de entrega3 dias úteis10 dias úteis2 dias úteis
Pagamento28 dias28 dias14 dias
Validade da proposta10 dias15 dias5 dias

O fornecedor C tem o menor preço de mercadoria e o maior custo total, por causa do IPI e do frete FOB. O B tem o menor total, mas entrega em 10 dias. Olhando item por item, a correia sai mais barata com B (R$ 35,50 contra R$ 39,90 de A com IPI) e o rolamento com A (R$ 22,05 com IPI contra R$ 22,50 de B). Dividida, a compra fica em R$ 1.592,00, desde que os dois mantenham o frete CIF para um pedido menor. Se o rolamento é para uma máquina parada, pagar mais pelo prazo de C pode se justificar, e isso precisa ficar escrito.

Erros comuns no mapa comparativo

  • Comparar preço com IPI de um fornecedor contra preço sem IPI de outro na mesma coluna.
  • Esquecer o frete FOB, que só aparece quando o material já está a caminho.
  • Aceitar item equivalente sem registrar a marca ofertada e sem validar com a manutenção.
  • Ignorar a quantidade mínima de embalagem e comparar preço unitário de caixas diferentes.
  • Escolher uma proposta que vence antes de o pedido ser aprovado.
  • Somar valores com erro de fórmula e não conferir o total contra a proposta original.
  • Apagar o mapa depois da escolha, deixando o pedido sem a comparação que o justifica.

Como decidir: menor custo total ou critério técnico

A regra padrão é simples: vence a proposta de menor custo total que atende à especificação, ao prazo e às condições pedidas. Na prática, existem razões legítimas para escolher outra, e todas são técnicas ou de risco, nunca de preferência pessoal.

  • Prazo: a necessidade é para uma parada de linha e só um fornecedor entrega a tempo.
  • Especificação: a proposta mais barata oferece um equivalente que a manutenção não aprovou.
  • Histórico: o fornecedor mais barato teve não conformidades recentes no mesmo item.
  • Qualificação: o fornecedor não passou pela homologação de fornecedores exigida para itens críticos.
  • Condições: validade ou quantidade mínima inviabilizam a proposta mais barata.

Critério técnico não é carta branca. Se toda cotação termina com o mesmo fornecedor por “critério técnico”, o problema está na especificação ou na base de fornecedores, e vale revisar as duas.

Quando registrar a justificativa

A justificativa escrita é obrigatória sempre que a escolha foge da regra padrão. Os casos típicos são estes:

  • O vencedor não é a proposta de menor custo total.
  • Houve menos propostas do que a política da empresa pede para aquela faixa de valor.
  • O fornecedor é único para o item (peça original, serviço sob desenho).
  • A compra foi emergencial e o mapa foi montado com as propostas disponíveis na hora.

A justificativa acompanha o pedido e é o que o aprovador deve ler antes de aprovar, conforme a alçada de aprovação de compras. Duas ou três frases bastam: o que foi escolhido, por que e qual a diferença de custo em relação à proposta de menor valor. Na Fixus, o fornecedor já responde com preço, impostos, frete, prazo e validade por item, e o comparativo é montado automaticamente pelo software de cotação, com a escolha registrada junto do pedido.

Perguntas frequentes

O que é mapa de cotação?

É a tabela que compara, item por item, as propostas de vários fornecedores para a mesma compra, com preço, impostos, frete, prazo de entrega, condição de pagamento e validade. Serve para escolher pelo custo total e registrar a decisão.

Quais colunas um mapa comparativo de cotação deve ter?

Item e especificação, quantidade e unidade, preço unitário, IPI, ICMS, frete CIF ou FOB, prazo de entrega, condição de pagamento, validade da proposta e uma linha de custo total estimado por fornecedor.

Posso escolher uma proposta que não é a mais barata?

Sim, por critério técnico ou de risco, como prazo para uma parada de linha, especificação ou histórico de qualidade. Nesse caso, registre a justificativa junto do pedido para o aprovador e para consultas futuras.

Vale dividir os itens entre fornecedores diferentes?

Muitas vezes, sim. Comparar item por item pode mostrar que o menor custo está em comprar cada item de um fornecedor. Confira apenas se o frete e as condições continuam valendo para o pedido menor.

Quanto tempo guardar o mapa de cotação?

Junto com o pedido, pelo mesmo prazo que a empresa guarda os documentos da compra. É o registro que explica por que aquele fornecedor foi escolhido.

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